É tão banal circular/estacionar em cima dos passeios que...
Atropelamentos
101 atropelamentos em passadeiras de Lisboa em 4 meses
De Janeiro a 30 de Abril registaram-se 266 atropelamentos em Lisboa, dos quais 101 foram verificados em passadeiras e 165 fora delas, disse esta sexta-feira à agência Lusa o comandante de operações da Divisão de Trânsito da polícia.
Duas notícias
Relatório de Segurança Rodoviária
Atropelamentos mortais estragam estatísticas
Em 2008 aumentaram as mortes por atropelamento dentro das localidades. É o índice mais negativo das estatísticas sobre sinistralidade que hoje foram apresentadas. Em contrapartida, morreram menos 27% de jovens nas estradas portuguesas
Hoje, no Público, lê-se:
Redução de mortos nas estradas nos últimos 20 anos é "progresso civilizacional incrível"
O ministro da Administração Interna apontou esta quinta-feira a redução do número de mortos nas estradas portuguesas, nos últimos 20 anos, como um "progresso civilizacional incrível", tendência que o Governo pretende manter durante os restantes meses de 2009.
O Passeio Livre nota:
Nenhuma referência, no Público, ao aumento de mortes por atropelamento.
Nenhuma referência ao grau civilizacional dos portugueses quando estacionam os seus carros. Nenhuma referência à mais do que provável relação entre a incivilidade dos portugueses que estacionam em cima de passeios e de passadeiras e o aumento de mortes por atropelamento nas localidades.
Crónica no Diário Económico
31/03/09 00:01 | João Paulo Guerra
Em Portugal, país de cerca de 10 milhões de umbigos, acaba de ser constituído um movimento cívico.
Actividade rara. O movimento destina-se a protestar contra o estacionamento abusivo que interfere com direitos da maior parte da população da cidade de Lisboa, o de circular a pé em áreas que lhe são destinadas e que foram tomadas de assalto para estacionamento de automóveis. O protesto traduz-se na afixação de um autocolante nos veículos estacionados em áreas destinadas à circulação de peões.
Um jornal que dava conta da criação do movimento dizia que a acção "não reúne consenso". Na verdade, o labroste que atropela os direitos dos outros não concorda que lhe chamem a atenção para a selvajaria, menos ainda quando a chamada de atenção se reveste de uma forma que de algum modo atinge, nem que seja com a simples cola de autocolante, a extensão do "ego" que é o "popó".
Em muito poucas cidades da Europa é possível assistir às manifestações de barbárie que podem ver-se em Lisboa, e em geral em Portugal, nesta matéria. O ‘blog' do movimento em apreço (http://passeiolivre.blogspot.com) ilustra bem que a realidade vai muito para além da imaginação mais delirante. No comum das cidades civilizadas, para que os automóveis não estacionem em cima dos direitos dos peões não é necessário qualquer dispositivo ou ameaça: basta o civismo. Mas, por cá, o civismo morreu atropelado na passadeira. De maneira que "não há consenso". E resta ver que partido tomam, quando for o caso, os que deviam assegurar o direito ao passeio livre. Aposto que vão comentar que sim senhor, que os peões têm os seus direitos, mas que há outras formas de fazer respeitar a lei. Quando sob a sua tutela o que está em vigor é a lei da selva.
